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Atrás do caderno do jornal


Palavrinhas e letrinhas na folha de jornal,
água de redemoinho correndo em espiral.
O dono das palavras com feição de transparente.


Fluxo de idéias brotando do manancial.
a mente do dono, atrás das letras do jornal.
O dono do fato? não, apenas um recipiente.


Me vendo perdido nessa torrente,
não sei se artista ou observador,
me coloco como simples escritor,
imparcial, grafando vida de gente.

e entrementes, sei que mudo mando e desmando
porque quando o que eu falo passa, cai na boca da massa
e quando a notícia vem, e a crítica passa
sei muito bem que sou a idéia do bando.

E aprendo que não posso usar,
aprendo a me deixar guiar,
e a ser carregado por essa torrente

Pois tal como copo, sou eu no meio dessa gente,
meus adornos não me impedem de ser transparente,
e das notícias me reservo a ser apenas o recipiente.