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1 e 2 1° Parte






1 - Nós dois sabemos como dói
2 - Sim como dói
1 - Meus olhos, olhos que enxergam apenas esse seu corte
2 - esse meu corte que sangra e se abre cada vez mais
1 - é tao doce essa dor, é tão suave esse veneno
2 - me sinto caminhando, indo de encontro a morte.
1 - e ainda sim, esboça esse sorriso debochado como quem gostasse




Ao longe se enxerga uma chuva vermelha. As árvores de papel que estavam lá começam a mudar de cor. o lago, outrora cristalino torna-se um vermelho quase negro de tão denso e pouco a pouco o chão emana escarlate.


1 - Chuva, perfeita
2 - Chuva, Sangue... Porque acontece isso?
1 - Cada pedaço de você sendo despedaçado, desintegrado, apenas sua vida, seu sangue está lá...
2 - Não quero isso, mas não consigo deixar de olhar, não consigo deixar de pensar no prazer que seria estar lá
1 - Vislumbre-se, deleite-se, se entregue. esqueça os cortes, não pense.
2 - Desejo cruel, Conheco os resultados e conheço os caminhos. sei como acaba a história...
1 - Nós dois sabemos, mas a vida vale isso. seu sangue está lá, basta vivê-lo, cada gota tera o seu valor por ser intensa.
2 - CRUELDADE, como pode... Vá, me arraste para esse caminho, me subjugue, mesmo que eu não queira, mesmo que eu lute, me leve até lá. eu quero, eu preciso, eu desejo...
1 - Te levo por que te quero ver sofrer. te torturar no caminho será o meu deleite, mesmo que desnecessário, vou te destruir tão lentamente que você terá tempo de se recompor para que eu possa destruir mais e mais
2 - Sim, me carregue, me leve. mas cuidado, pode se surpreender...
1 - Sua submissão não me engana, sei qual é a sua trama, conheço seu ar de dominador e como você simplesmente toma o caminho e os passos e a vida de quem te leva. Sei bem de tudo, e sei que é tudo que quero. por enquanto.



Um caminho tortuoso surge, uma única estrada formada de linhas, tortas, loucas. pretas e brancas, erráticas. olhando em volta vejo projeções de imagens enquanto essas duas entidades percorrem seu caminho, facas, punhais, adagas e espadas são jogadas de longe, perfurando ambos. Por prazer ou por mera diversão, porém com um ódio imenso os dois lutam e se matam, sabendo que são imortais, e isso
se repete enquanto cruzam os caminhos que deveriam seguir em linha reta. porém, parece que algo os guia. parece que algo faz com que andem, que sigam adiante.




1 - Blasfêmia, não permiti que você sentisse, que você amasse. que você sorrisse. você não vale nada, não merece nem sentir.
2 - Eu acredito em sentir, tanto acredito que amo você, amo tanto como te odeio. A pior desgraça que surgiu em minha vida é meu maior amor. isso é irônico

1 - MORTE, quero que você morra, sentimentos não existem, sentimentos não são permitidos. sentimentos devem ser apunhalados e destroçados
2 - Abro meu peito, venha, me destroce. sei de sua carga, estou pronto pra carregá-la comigo, seja como for.
1 - ...
Um silêncio. As linhas que faziam o caminho tomam vida e formam um entrelaçado enorme que prende os dois, lado a lado, face a bace, olho no olho. o local parece distante, o caminho os levara para outros ventos...
2 - Vê, estamos juntos, presos e odiosos. não exite culpa, existe o sentir em sua própria essência.
1 - sim vejo, a raiz de todos os sentimentos. aquilo que se faz real antes do sentimento virar amor, ódio, raiva, felicidade.
2 - Você estava certo... não posso usar isso, não tenho o direito de viver isso. não tenho poder para tal
1 - Seu poder é apenas estar comigo, eu acredito em sentir. eu acredito na vida que nasce, na vida que fazemos.
2 - Então que você morra, ser odioso.
1 - Cuidado com o que deseja
As cordas se apertam, ambas as entidades são trucidadas. logo depois resurgem em seu jardrim de arvóres de papel, chuvoso. pintado, com
ar carregado.
1 - Nuvem branca enorme
2 - No entanto gotas de sangue
1 - Nao interessa, quero dobrar árvores
2 - Temos mais do que papel em mãos

O papel que saia das árvores criava uma paisagem nas mãos dos seres. Dos papéis pintados de vermelho de sangue nascia a vida. mas do lago apenas a escuridão. a chuva trazia o acaso, e no acaso se via que a criação tomava forma própria. cada gota, cada folha, cada pedaço era maravilhoso, perturbador, assombroso e simplesmente deslumbrante. Cada parte dessa obra magistral criava vida, mas era inanimada. se movia, alterava sua forma, bebia da chuva incessante e pesada daquela nuvem delicada e suave. Os desenhos erráticos ora paisagens ora abstratos viviam, o tempo que permaneciam ate serem alterados. eram cenas lindas, visões grotescas, Choros, Prantos, Alegrias. era tudo, tudo se via em cima de mãos que como deuses criavam como mortais, numa dança de 7 rodas, aonde cada giro soprava vida, e roubava vida.












1 - Emoção, eu quero a dor, lamúrias, lamentos, quero o poder de exalar cada uma, infectar, corroer
2 - Dos sorrisos que dou, quero que cada um ilumine, mas que cada intenção assasina se realize
1 - Sabemos que cortados e sangrando vivemos, sabemos que dominamos cada uma delas
2 - Sabemos, sim sabemos. Mas eu nunca serei você e você nunca sera como eu
1 - Eu existo
2 - Eu sou
E se viram, donos, cheios de perguntas. capazes das respostas, guiando por onde as coisas brotassem. Aguardando para saber quem são, de onde vieram e pra onde irão. Quais os seus nomes? Porquê as arvores? Porquê as cordas? Quanto tempo durou isso? O narrador realmente presenciou a história, ou simplesmente a conhece? Muitas, muitas outras perguntas...

CONTINUA

por Gustavo Elias, sábado, 27 de Agosto de 2011 às 06:52

Um momento, dançando em frente ao espelho, lembrando de como cada parte dentro de você é viva.



Deixe, sim deixe que entre na sua alma. sinta seu corpo se mover enquanto em vão você afaga suas memórias. se pergunte, o que estão fazendo aqui, de onde vem e quem são. indague porque não são mais palavras, porque tudo se desconstruiu e agora é só corpo, é só movimento é só vida...


 Agora eu enxergo, olhando no espelho meus passos tortos. eles desenham tudo que eu disse mas palavras não resistiram, minha música passava de corpo a alma, e meu canto era rouco pois não tinha voz. era um ser mudo e nu, nu perante sua alma e perante o que se escondia debaixo dela. discórdia entre as mãos que buscam aquilo que faz as pernas fugirem, dos olhos que cobiçam o desejo que o tato não quer mais sentir, e que cada toque que arde como fogo, queima a pele como lava e deixa suas marcas de cansaço de tentar, da dor de insistir, e da derrota de arriscar, e perder. chorar por olhos que não tem lágrimas, olhos secos e profanos. desumanos, com um pranto vermelho que tinge as vestes outrora encobertas em linho branco de pureza.

 Deixo, sem querer eu deixo que esse espírito que me recria se extravase desta alma cansada de tanto dançar, as memorias submergem, as perguntas descansam. o labor de querer saber os porquês se vai. sua vida foi vivida nesse único momento meu caro, aonde você dançou, aonde você viveu mais do que esperava, viveu a vida que existe dentro de você.

por Gustavo Elias, quarta, 17 de Agosto de 2011 às 03:13

Entre Tantos Sentimentos Achei um Sentido

Sentia,


Sentia talvez um pouco de saudades, tão boas as lembranças, olhando para trás
Sentia vontade de sorrir ao te ver, e lembro de meros detalhes como uma história de uma garrafinha d’águaembro,
Senti medo, eu juro que senti um pouco de medo, eu que quase não conversava com ninguém te via linda, parada diante de mim me acusando de um crime que eu inocentemente cometera.

Senti vontade, Sabia que uma paixão de adolescente era algo que não poderia ser domado, e eu tímido e inocente, quase que uma grande criança não sabia o que fazer, até que um dia...
Sinto muito, você disse... tenho namorado. Eu não sabia o que sentir, se me sentia angustiado por partes, saberia que meu desejo permaneceria ali, insaciado, mas por outro lado. Me sentia reconfortado, estranhamente entendia o quanto você gostava dessa pessoa misteriosa que era o empecílio que me separava de você.
Senti Saudades. Senti sim, Antes da hora da partida, dos últimos momentos, aonde repetidamente te via e sabia que estava longe do meu alcance... com todo sentimento te dei aquele abraço de despedida, abraço daquele que seria carregado pelos ventos da música enquanto sua vida tomaria outro rumo, porem...
Sentia que um dia, nossas vidas iriam se cruzar, e não me lembro bem se em forma de canção, ou em forma de texto ou apenas em forma de sentimento, guardei tudo porque sabia(não exatamente como) que um dia eu iria te contar.
Sinto muito. Eu disse, meio trêmulo. Me lembro bem de ver em seus belos olhos que era uma simples brincadeira, e que tudo estava bem. Eu que já te observava de longe passei a te admirar mais ainda...cometera
Me sinto feliz que esta folha, Este simples papel um dia chegará a sua dona, dona que não soube que era dona, mas que um dia iria descobrir:
Em meio a tanto sentir, tanto sentir saudades, tanto lembrar de vontades, porque paixão passa mas não se esquece, te guardei em outro sentido. Meu sentido de vida, de que cada alegria e que cada paixão se torne poesia, para que mesmo você não sendo minha permaneça sempre comigo, e entre tantas belezas da vida, faça minha vida ter um sentido.
Gustavo Elias R. Rodrigues
26 de dezembro de 2011 01:33

Atrás do caderno do jornal


Palavrinhas e letrinhas na folha de jornal,
água de redemoinho correndo em espiral.
O dono das palavras com feição de transparente.


Fluxo de idéias brotando do manancial.
a mente do dono, atrás das letras do jornal.
O dono do fato? não, apenas um recipiente.


Me vendo perdido nessa torrente,
não sei se artista ou observador,
me coloco como simples escritor,
imparcial, grafando vida de gente.

e entrementes, sei que mudo mando e desmando
porque quando o que eu falo passa, cai na boca da massa
e quando a notícia vem, e a crítica passa
sei muito bem que sou a idéia do bando.

E aprendo que não posso usar,
aprendo a me deixar guiar,
e a ser carregado por essa torrente

Pois tal como copo, sou eu no meio dessa gente,
meus adornos não me impedem de ser transparente,
e das notícias me reservo a ser apenas o recipiente.



Ser aquele garoto

Aquele Garoto

Era estranho ver aquele garoto
ele sempre via as coisas por cima do muro
suas idéias sempre quietas no escuro

Era estranho viver com aquele garoto
Ele sempre sentado em cima do muro, não via
Ele quieto cheio de idéias corria

Era estranho ter aquele garoto
Não via o muro que estava em cima dele
tão quieto no escuro que nunca teve


Era estranho aquele garoto
Pois vivia de muros e de olhares
e de escuro e de claridade


Era estranho ser aquele garoto
Pois não existia muro, nem olhares nem nada
Eu era tão simples que me complicava

O enigma de um jardim




Senti... Vento que me tocava por inteiro, senti... me tocava e vinha dos quatro cantos, e do canto veio o som, o som do ar que passava trazia o aroma do campo disfarçado em sorrisos mil. Lentamente a luz acariciava as meninas dos olhos que despertas, se maravilharam. Eu via, estava no horizonte onde o mar não alcança, nunca havia visto tal calma, tão plana e bela. Tulipas, gardênias, orquídeas, margaridas, todas com suas exuberantes e sinuosas curvas me olhavam, para meu espanto andavam e também sorriam. Não quis entender, apenas admirei ao receber sorrisos perfumados de vidas que se vivem sem você. Comecei a caminhar pela relva, tão verde que refletia brilho onipotente de um suave sol matutino, essas planícies tinham algo, era bom... mas tinham algo a me dizer. Uma estranha ave pousou sobre meu ombro. Carregava fogo em suas penas, sua cauda trazia um rastro de passado, os pés levavam os ventos de quatro cantos e olhos de sabedoria. Virei meu olhar para tal ave e fiquei deslumbrado, ela no entanto, me ignorava. Após algum tempo de contemplação silenciosa ela dirigiu algumas palavras, não a mim, mas a um ser que ela chamava de tato. Com uma voz autoritária dizia a tato que já era hora. Após essa única fala partiu em toda sua exuberância carregando os quatro ventos consigo em direção ao sol. Tal cena cativava meu olhar, até que subitamente percebi que segurava algo em minha mão, que desde o princípio estava lá... comecei a sentir sua forma, era uma forma fria, reta e angular. Vi que era um caule, tal qual caule de rosa, porém verde-azulado, tão frio quanto suas formas retas, sua haste era haste de flor cortada, arrancada, A flor era o mais peculiar, pois tinha pétalas angulares, fortes e formava um exato cubo, o cubo parecia ser parte de algo, aquele cubo verde-florescente que não me explicava o que era. Afastei meu olhar para ver melhor, e percebi que o cubo era apenas um ponto de uma grande interrogação que brotava do caule... O silencio tomou conta de mim, os quatro ventos não estavam mais lá, todas as flores sorridentes desapareceram. amedrontado sentei-me a relva com uma lágrima ao rosto, abraçando minhas pernas como um feto, um braço esticado com a flor-pergunta e um olhar cabisbaixo, direcionado a tal flor, flor que só me fazia pensar em porquês, quandos e comos. A ave voltara cruzando o céu. Ela, novamente em meu ombro, dessa vez com seus olhos profundos, jade e esmeralda fitados em mim pediu para que eu sussurrasse um desejo. Assim fiz, e ela partiu. Quando ela partiu percebi que há muito não se via relva aonde estava, e que eu era só no vazio. Olhei para minha única companhia... SWOSH... A flor criara enormes espinhos, traspassaram minha mão, apesar da dor, eu ainda a mantinha comigo, pois era minha companhia, era meu valor, era mais valioso do que tudo que eu havia passado em minha vida. Ela começou a murchar... percebi... soltei... Ela saiu flutuando em direção a uma farta lua que havia substituído o sol, trazendo consigo seu cobertor de estrelas e planetas... Observava a flor flutuar, observava o sangue em minhas mãos escorrer, não para fora, mas para dentro, tingindo meu braço por inteiro de vermelho. Caí por terra, lembrei do meu ultimo desejo... lembrei-me de tudo, em meu ultimo suspiro vi a flor-pergunta se tornar a mais bela flor ao alcançar a lua, e a vi feliz, e vi a lua feliz, pereci em um sorriso. Tornei-me terra naquele deserto frio, o tempo passou, pereci sem lápide, sem epitáfio. Marcando minha sepultura um único lírio, um belo lírio do deserto que brotara das entranhas de minha carne consumada pelo deserto, era um lírio puro, com toda pureza de seu branco, exceto por uma, uma pétala era vermelha.

GUSTAVO ELIAS

Sexta feira 2 de julho de 2010

Bandida





Não simplesmente a conhecia como a tinha como preciosa, andava lado a lado e de sorriso estampado ao saber que estava ao seu lado, nunca esperava que um dia fosse me enlaçar por tais traços tão sedutores, traços que me envolveram e desviaram-me o olhar de minha tão preciosa. Entrei em conflito, antes eu  tinha chão, era firme e constante, tinha vida sim mas não tinha as curvas, a força de qual dama que cativara meu olhar. Ainda me lembro do som de tua voz, que ao eco do som e das 1001 notas tão doces quanto misteriosas, a força de teus movimentos que deixaria a mais potente tsunami com inveja, seus traços tão suaves qual brisa guardam o poder de um tufão. Fui varrido, não era mais capaz de amar minha preciosa. A dama tal qual cigana se movia e me punha ao seu encalço se não por amor pelo simples vício que criara, não me apercebi quando tal dama da arte assasinara minha preciosa sanidade, mas que com isso, criara uma entidade nova, um novo poder em mim, criara o artista o artista que não mais preso a sua sanidade e capaz de tirar os pés do chão, o artista envolvido pelas facetas da arte e movido pelo simples desejo de se satisfazer, mas acima de tudo, de satisfazer a arte e deixar que tal dama exerça sua função sedutora por esse mundo que não se apercebe do quanto precisa dela.

Arvore Vita




Para ser azul me aventurei pelo céu: Aprendi a voar
Para ser verde me aventurei pela terra: Aprendi a andar
Para uma aventura resolvi aprender: Conheci o silêncio
Para quebrar o silêncio resolvi escrever: Conheci o frio

Foi nesse frio que toquei uma árvore, me surpreendi ao ver que ela sorriu pra mim. ela me mostrava pequenos coraçõezinhos cravados em seu tronco com nomes de casaisinhos, e me contava sobre cada ninho de pássaro que abrigara... 'como é bom poder ver um pequeno pássaro crescer, bater asas e voar' ela me dizia, e me contava tudo o que viu, me contava que deu sombra para namorados e que deu abrigo para moleques serelepes, e ela se lembrava de cada flor, e de cada bem-me-quer. eu ouvia e sentia enquanto tocava a árvore, e ela com todos seus anéis de sabedoria simplesmente sorria....

Ao ouvir uma árvore percebi que ela não falava: Aprendi a ouvir
Ao me perder na floresta esqueci que estava Faminto: Encontrei uma amiga
Ao sentir que o frio me rodeava, pensei em fazer uma fogueira: Descobri que não sou egoísta
Aos momentos finais eu ainda estava ouvindo as hístórias de minha amiga: Descobri que não Sentia mais dor

Acabou-se.... passei a fazer parte da terra e eventualmente da árvore... Era a primeira vez que havia visto lágrimas de orvalho.

Al Dhariam





Foi aleatório, nasceu no lápis que escrevia uma partitura. nasceu um sentimento torto, tão torto que distorcera o alfabeto que ditava o nome, o nome apenas. um lapso de tempo e espaço da onde nasceria um poema simples. poema que representava uma identidade nova que acabara de nascer e que viveria apenas os 15 minutos da escrita. assim foi:

Só porque é quarta-feira

Sinto-me poeta, lúdico e aéreo,
Perambulo este caos etéreo,
Sendo no entanto um mero mortal.

Palavras em escarlate que trago,
vindas do corte transversal que procura um afago,
Para o olimpo é simples e banal.

Estrela cadente com rastro escarlate,
Arremessado por terra como um anjo decaído.
Mergulhado em seu sangue, emitia uma fala, um ruído:
Vida que esvai-se de mim, é assim que me recompensaste?

                                                                                       Al Dhariam - O poeta aleatório
                                                                                  Segunda feira, 16 de agosto de 2010

Som ou ruído?




    É impressionante. Música sai ou não sai, não há meio termo. ou ela pousa de forma agradável em meus ouvidos como o cantar de um pássaro, ou simplesmente trespassa meus ouvidos tal qual espada de cavaleiro. nessa dança de sons e ruídos não sei mais quem é quem, ouço apenas a massa sonora. é hora de lembrar que silêncio também é música, e que música sou eu enquanto eu puder ser a música. Respiro fundo... ouço os pingos da chuva fazendo os compassos alternados da natureza. levo a mão ao peito, sinto que a pulsação vem de mim. ao meu redor a harmonia fria de ruídos de ventoinha de computador e das teclas ja apagadas do teclado. apanho um caderno e em vão tento rabiscar uma partitura, a chuva, mãe do rítimo molha o papel. parece que não era pra ser...