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Um momento, dançando em frente ao espelho, lembrando de como cada parte dentro de você é viva.



Deixe, sim deixe que entre na sua alma. sinta seu corpo se mover enquanto em vão você afaga suas memórias. se pergunte, o que estão fazendo aqui, de onde vem e quem são. indague porque não são mais palavras, porque tudo se desconstruiu e agora é só corpo, é só movimento é só vida...


 Agora eu enxergo, olhando no espelho meus passos tortos. eles desenham tudo que eu disse mas palavras não resistiram, minha música passava de corpo a alma, e meu canto era rouco pois não tinha voz. era um ser mudo e nu, nu perante sua alma e perante o que se escondia debaixo dela. discórdia entre as mãos que buscam aquilo que faz as pernas fugirem, dos olhos que cobiçam o desejo que o tato não quer mais sentir, e que cada toque que arde como fogo, queima a pele como lava e deixa suas marcas de cansaço de tentar, da dor de insistir, e da derrota de arriscar, e perder. chorar por olhos que não tem lágrimas, olhos secos e profanos. desumanos, com um pranto vermelho que tinge as vestes outrora encobertas em linho branco de pureza.

 Deixo, sem querer eu deixo que esse espírito que me recria se extravase desta alma cansada de tanto dançar, as memorias submergem, as perguntas descansam. o labor de querer saber os porquês se vai. sua vida foi vivida nesse único momento meu caro, aonde você dançou, aonde você viveu mais do que esperava, viveu a vida que existe dentro de você.

por Gustavo Elias, quarta, 17 de Agosto de 2011 às 03:13

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